Teologia do Novo Testamento (Síntese:Gerhard Hasel)

Hasel, Gerhard F. Teologia do Novo Testamento: Questões fundamentais no debate atual. Tradução de Jussara Marindir Pinto Simões Arias. Rio de Janeiro. JUERP, 1988 p. 110-132

Hasel foi professor de Teologia Bíblica na Andrews University o que o fez levantar questões importantes sobre o Novo Testamento que chamaremos a partir de agora de NT. No Capítulo 3, O Centro e a Unidade da Teologia do NT, o autor trata sobre A Questão, que nada mais é que a indagação a respeito do centro e da unidade do NT nos estudos teológicos. Hasel apresenta alguns estudos realizados por teólogos como J. P. Gabler, que havia feito em 1787 um convite a tarefa de se discernir os diferentes autores e as formas particulares de discurso que cada um utilizou para encontrar uma uniformidade entre eles. Outro teólogo foi E. Lohse que colocou esta questão nos seguintes termos: “A exegese histórico – critica dos escritores do NT nos força a concluir que eles… não revelam uma doutrina unificada, mas oferecem diferentes exposições teológicas”. E. Kasemann diz que, “uma multiplicidade de conceitos divergentes” estão contidas no NT assim não possuem coerência interna. A Stock no lembra que esta incoerência ou contradição é o resultado das tendências do criticismo histórico, já que a Bíblia reivindica autoridade e assim uma unidade, ou seja, há unidade na diversidade, mas tal unidade é concebida ao longo de diferentes linhas e adquirida com abordagens contraditórias como vários eruditos afirmam. Hasel nos apresenta uma distinção dupla a respeito do centro do NT, (1) um sustentáculo pode descobrir uma unidade apesar da diversidade e (2) o centro (princípio organizador) pode implicar numa antítese, tal como “autoridade/desintegração” e “objetividade/subjetividade”. Hasel diz então que a questão a respeito do centro mais adequado ao NT permanece, bem como a questão a respeito da necessidade de um centro para a apresentação de uma teologia do NT.

Hasel aborda de forma mais analítica A Busca do Centro do NT, dizendo que esta pode ser dividida em quatro linhas teológicas: (1) Antropologia: linha defendida por R.Bultmann e seu aluno H. Braun que fizeram a opção de que o centro do NT tem algo a dizer sobre ao presente assim o significado do NT torna-se claro ao crente e afirma que: “Toda declaração a respeito de Deus é, simultaneamente, uma declaração a respeito do homem e vice-versa.” Porem o Espírito Santo, a ressurreição, o segundo Adão, o pecado original não se enquadram no centro antropológico. (2) História da Salvação: pensamento defendido por O. Cullmann, G. E. Ladd e L. Goppelt dizem que Cristo é o centro do tempo, mas não do NT, pois para, principalmente Cullmann, o NT está interessado na “cristologia funcional”, deste modo, a tese básica destes eruditos é de que a “historia da salvação” é o principio da unidade do NT. (3) Pacto, Amor e Outras Propostas: é a linha proposta por alguns eruditos que dizem que o Pacto serve de principio unificador, por não é suficientemente amplo para conter em si toda riqueza e variedade do pensamento do NT. (4) Cristologia: é a proposta sugerida no começo dos anos 50 por B. Reicke que diz que o centro do NT é cristológico, ou seja, Cristo é a unidade, pois todos os escritos do NT referem-se a Jesus Cristo. Outros como F.C. Grant, P. Robertson, W. Beilner e outros vários teólogos, luteranos, reconhecem Jesus Cristo como centro e sugerem que a teologia do NT deve ser entendida como unidade a partir de dois aspectos: Jesus proclamado, o Cristo e o lócus da proclamação, a existência da igreja. Em concordância com os reformadores, eruditos colocam a idéia paulina da justificação dos ímpios como o centro do NT. U. Luz, porem diz que a teologia da cruz é na verdade o centro, pois a cruz é salvação, ponto de partida e orientação da teologia. Hasel finaliza este tópico dizendo que não se chegou a um consenso a respeito da questão do centro do NT, mas diz que não estamos negando a legitimidade da busca de um centro assim como a cristocentralização do NT não pode se transformar numa estrutura com base em que uma teologia possa ser escrita.

O Centro do NT e o Cânon dentro do Cânon é o mais atual debate a respeito do centro, diz Hasel, já que como vimos anteriormente à questão do centro esta entrelaçada com a questão do Cânon dentro do Cânon, que de acordo com Kasemann não pode ser realizado. Assim vários teólogos protestantes têm levantado questões a respeito do conceito do “Cânon dentro do Cânon” dizendo que esta busca fracassou mesmo durante 200 anos, pois baseia se numa subjetividade descontrolada. Hasel então conclui dizendo que eruditos apontam as mais diversas discussões na busca do centro do NT e principalmente a do Cânon dentro do Cânon, mas poderá a natureza auto-autenticatória do NT e da Bíblia como um todo ceder espaço a um princípio seletivo ou externo como sua norma? 

About these ads
This entry was posted in Resumo/Summary. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s