Teologia do Novo Testamento (Resenha: Howard Marshall)

MARSHALL, I. H. Teologia do Antigo Testamento: Diversos Testemunhos, Um Só Evangelho. São Paulo/SP: Editora Vida Nova, 2007, p. 75-548

Mundialmente reconhecido por sua erudição e firmeza doutrinária, Howard Marshall é Professor e Pesquisador de Novo Testamento da Universidade de Aberdeen, na Escócia local onde produzia uma de suas mais importantes obras, Teologia do Novo Testamento: Diversos Testemunhos, Um Só Evangelho. Nesta obra, Howard Marshall traz profundas reflexões, fruto de muitos anos de estudo, pesquisa e ensino na área do Novo Testamento. E dessa forma, a partir da análise individual dos documentos que compõem o NT, vai passo a passo construindo uma síntese dessa teologia, provando assim sua tese: diversos testemunhos, um só Evangelho. Esta resenha por sua vez pretende realizar uma análise mais criteriosas de dez pontos desta obra teológica.

O primeiro subtópico que analizaremos esta na Segunda Parte do livro, Jesus os Evangelhos Sinóticos e Atos, no Capítulo 3, O Evangelho de Marcos, intitulado por Quem é Jesus?  Nele Marshall diz que a preocupação do escritor do evangelho de Marcos é a de tratar mais do mensageiro do que da mensagem, ou seja, “Quem Jesus é tem prioridade sobre a mensagem acerca do Reino.” (P.75). O autor diz que o escritor do evangelho de Marcos utiliza vários nomes para descrever a pessoa de Jesus. Cristo, é um dos nomes utilizados por ele, onde Marshall destaca que este termo é equivalente para o termo Mesias que quer dizer o ungido ou Santo de Deus tendo sido utilizado pouquissimas vezes. O outro termo, Filho de Davi, equivalente ao termo messias foi menos utilizado por Marcos do que o termo, Filho de Deus. Marshall destaca algumas conotações para este termo dizendo que Jesus o utilizou talvés como um simples título (no papel de orador), utilizado também na paixão, morte e ressurreissão de Jesus e utilizado como um título para a seguda vinda de Jesus. Esta preocupação de Marshall em relação aos termos utilizados por Jesus e aqueles que tiveram contato com ele é muito importante, pois ao compreendermos estes termos podemos entender quem realmente é Jesus.

O segundo subtópico que trataremos aqui encontrasse no Capítulo 4, O Evangelho de Mateus, intitulado por  Radicalismo a Lei. Marshall diz que o escritor do evangelho de Mateus “…registra o ensinamento de Jesus que dividi a história do procedimento de Deus com o seu povo em duas fases…”(P.108) O período da lei e dos profetas foi a primeira fase onde o povo aprenderia como viver. Jesus se opos a tradição dos anciões, porem “estabeleceu a sua própria doutrina indo além da lei em sua exposição radical da necessiade de obediência pelo coração.”(P.108) Um bom exemplo disso é a lei que dizia que o homem deveria amar o seu próximo, mas Jesus estende a lei ao dizer, “ame o seu inimigo”. O radicalismo está na internalização da lei, ou seja, o homem deveria não só conhecer a lei, mas também incorpora-la e assim vive-la. Marshall foi feliz neste subponto, pois continuar seguindo a lei como seguiam os fariseus, de forma as vezes hipocrita, não nos garantiria justificação alguma. Jesus é a própria plenitude da lei é por isso exirge de todos nós o cumprimento da lei, mas lei ensinada por Jesus e não por homens.

Líderes e Missionários é terceiro subtópico cituado no Capítulo 6, Lucas – Atos Continuação, onde Marshall trata da teologia de Lucas dizendo que a sua preocupação não é, pelo menos não de forma demasiada, na estrutura da igreja, mas sim na missão dos apostolos. Marshall destaca a participação de Paulo e Barnabé na evangelização do gentios dizendo que após o capítulo 15 do livro de Atos os outros discípulos “desaparecem da narativa”(P.159) . Marshall finaliza este subtópico dando a sua opinião quanto a tarefa dos crentes que vieram depois dos apostolos dizendo que: “Nós deveriamos aceitar o uso menos rigoroso do termo testemunha quando aplicado as pessoas que não foram testemunhas oculares de Cristo, mas não obstante, experimentaram por si próprias a realidade da salvação.”(P.160). Tudo leva a crer que Marshall é a favor do uso do termo Apostolo, para aqueles, que mesmo não tendo sido testemunhas oculares de Cristo, deveriam receber este título quando enviados por suas igrejas. Porem só em uma revisão ou criação de uma segunda obra para compreendermos melhor a posição de Marshall quanto ao uso deste termo.

No quarto subtópico intitulado, Justificação, situada na terceira parte, As Epistolas Paulinas, no Capítulo 8, As Epistolas aos gálatas, Marshall trata de alguns termos teológicos dizendo que a justificação, ou seja, “processo de tornar uma pessoa justa” (P.196) possui um problema linguístico “… na medida em que esta terminologia pode ser aplicada a duas atividades distintas.” (P.196). Marshall então diz que esta justificação pode referir se as a mudança de caráter de uma pessoa de ações más “… a fim de que ela pense e aja de um modo justo” (P.196). A outra refere se a mudança de veredito de uma pessoa culpada, porem e “declarada justa apesar da injustiça perpetrada.” (P.196). Para Marshall essa ultima é a mais Bíblica posição, pois o homem pecador recebe de Deus uma justificação apesar de continuar a ser um pecador. O autor também diz que essa justificação não modifica o caráter do indivíduo, mas um perdão de seus pecados. Os gentios entendiam isso com facilidade, porem os judeos achavam que por meio da lei seriam justificados. Marshall trata deste assunto de forma superficial, mesmo porque esta não é uma obra de teologia sistemática, porem deixa clara a importância da justificação na vida do crente.

No Capítulo 10, A Primeira Epistola aos Coríntios, No subtópico, Cruz e as Divisões na Congregação o autor diz que para Paulo “… o coração da atividade da Igreja estava na proclamação da mensagem da cruz.” (P.234), mas o que isso quer dizer? Marshall diz que a igreja (pessoas) estava se tornando orgulhosa, pois disputavam entre eles quem tinha os dons mais importantes, se é que exista uma escala de importância. Contra isso Paulo prega a mensagem da cruz a fim de mostrar a todos que por mais que esta mensagem, onde um criminoso é morto, pareça loucura para o mundo e na verdade a expressão do poder e da sabedoria de Deus, pois “… a fraqueza de Deus exibida na cruz é, no fim, mais forte do que o poder humano, e essa força se manifesta na ressurreição.” (P.235). Homem nenhum pode achar justo por meio de suas obras. O Homem não tem motivo para se achar melhor nem muito menos possuir orgulho, pois jamais teve a sabedoria do homem diz Marshall. A conclusão do autor sobre o subtópico é, “Aqui, portanto, no nervo central da teologia de Paulo, encontra se uma exposição completa do modo em que a função da cruz é demolir o orgulho humano e fazer com que as pessoas vivam para agradar a Deus.” (P. 236). Como Marshall foi feliz em tratar deste assunto já que observamos em nossas igrejas disputas sem importância alguma para Deus, já que estas disputas nada mais são do que o orgulho do homem em busca de status e não de agradar a Deus.  

Marshall trata no Capítulo 12, A Epístola aos Romanos, sobre o subtópico, Justiça é Fé onde o autor diz que o entendimento de Paulo acerca do evangelho se resume na justiça e justificação. Paulo mostra a seus leitores que a justificação não poderia ser ganha por meio das obras, mas por meio de Jesus Cristo, o justificador. Paulo chama isso de fé, ou seja, crer que Jesus é o Cristo. Semelhante ao subtópico anteriormente trabalhado aqui, podemos reforçar a ênfase que Paulo deu não só nesta epistola, mas em boa parte de suas cartas. Marshall destaca novamente a ênfase que todo o crente deve entender, pois a justificação e por meio de Cristo e não por meio da obra.

O setimo subtópico que trataremos aqui encontrasse no Capítulo 16, A Epístola aos Efésios, intitulado por  O Espírito Santo. Nesta seção Marshall diz que diferente da epístola aos Colosenses, a de Efésios o Espírito Santo “ocupa um lugar central na carta.”(P. 342) Isto fica claro quando observamos que O Espírito Santo sela o homem (Ef 1.13), fortalce com o poder divino (Ef 3.16), preehche o crente (Ef 5.18) e equipa o crente para a batalha espiritual. Marshall também diz que o Espírito Santo da sabedoria e conhecimento aos crentes (Ef1.17). O autor resume dizendo, “o Espírito é o agente divino através de quem Deus age em cada momento da vida do crente, inclusive em sua aproximação de Deus na oração.” (P.342). Com certeza esta foi o tema central da carta aos Efésios. Marshall mais uma vez aborda de forma simples, mas precisa um importante assunto do Novo Testamento que tem sido mal abordado por muitos que tentam explorar, de forma exagerada o assunto. Marshall com certeza realiza este balanço!

Salvação é oitavo subtópico cituado no Capítulo 17, As Epistolas Pastorais, onde Marshall trata da questão da salvação, ou seja, da maior necessidade humana diz o autor. “A vida é eterna e não se rompe com a morte física.”(P. 450). Diferente da visão judaica que via a salvação como algo futuro, no Novo Testamento ela é “…a iniciativa de Deus, evidente não somente no envio do salvador, mas também no envio das pessoas até ele, a fim de que possam crer.”(P. 450). Porem Marshall deixa claro que nesse processo é necessário a participação também do homem, a final, a sua resposta determinará a salvação do mesmo. Crer no que Cristo diz, mas “assumir um compromisso com base em sua palavra.” complementa Marshall. Entre os outros assutos tratados pelo autor neste capítulo este é um dos mais importantes, mesmo que pareça básico para qualquer um que já possua a salvação

O nono subtópico cituado no Capítulo 21, A Epístola de João, intitulado por  Amor aparece mais de 62 vezes neste livro diz Marshall. “…a principal preocupação do autor é com o comportamento cristão dos seus leitores.” (P.465). Marshall resume os ensinamentos do autor em 6 declarações básicas: 1. Amor é igual a morte de Cristo na cruz como sacrifício; 2. Amor do homem em gratidão; 3. Amor que regenera; 4. Amor a lei, ou seja, amor uns aos outros; 5. Amor em ação e não em palavras; 6. Amor pelos irmãos. Marshall apresenta através desta seção o amor agapé, aquele amor sacrificial que não espera nada em retorno. Com certeza ele apresenta a mensagem central de João por meio deste capítulo esclarecendo ao leitor o quão importante é este amor na vida do crente.

Fé e Obras é a nossa decimo e ultimo subtópico, encontrado no Capítulo 26, intitulado, A Epístola de Tiago, onde Marshall diz que para Tiago a fé deve ser expressa através da obra, pois se assim não for de nada adianta ter fé. O autor apresenta a suposta contradição entre a pregação de Paulo que dizia que a justificação e por meio da fé e a de Tiago que dizia que a fé sem obra é morta. Marshall deixa claro que não existe contradição ao explicar que Tiago na verdade lutava contra uma falsa fé ao dizer: “… a fé demonstra-se verdadeiramente ao resultar em obras que a expressam…” (P.547). Mesmo com toda dificuldade existente sobre a verdadeira posição defendida por Tiago, Marshall trata deste assunto dando explicações que esclarecem a nossa mente quanto este assunto tão polemico. 

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